Quando a Alexandra visitou Mumemo pela primeira vez, em Abril, criou, como pessoa empreendedora que é, um festival mensal de artes performativas a que deu o nome de Festival Casa Cadaval.
Com o patrocínio da Associação Festival Évora Clássica – Os Orientais, responsável ela organização do Festival Évora Clássica – Os Orientais em Évora (www.festivalevoraclasica.com) , que decorre todos os anos, em Julho, no recinto do Palácio Cadaval em Évora e que teve este ano ao sua XIII edição.
O principal objectivo inerente a este festival é que a estimulação do estudo, da prática e da execução dos cantares e danças tradicionais moçambicanas, como motor da reintegração social das pessoas afectadas e infectadas pelo vírus do HIV/SIDA.
Decorrendo no local onde se erguerá o futuro Pavilhão Gimno-Desportivos, no penúltimo sábado de cada mês, o Festival vai entrar na sua oitava edição que este mês, excepcionalmente, terá a duração de dois dias e apenas se realizará no último fim-de-semana de Novembro.
Desta forma, o Festival Casa Cadaval, tem apresentado grupos profissionais que visam apoiar e inspirar os grupos locais de Mumemo a se organizarem de forma mais profissional, a par dos grupos locais com maior potencial. A par do festival é organizado um almoço para os doentes de SIDA, para fomentar a sua reintegração na sociedade e diminuir os chamados casos de silêncio, os casos de todos aqueles que têm vergonha de assumir a sua condição.
A minha presença em Mumemo insere-se nesse contexto. Apoiar a Alexandra em tudo o que tenha a ver com o Festival, desde o acompanhamento dos artistas locais, em termos de técnica vocal e postura em palco; até qualquer outra coisa que seja necessária.
Após uns dias mais agitados que chegaram a pôr em causa a sua continuação, devido a diferentes opiniões quanto à forma como o festival deveria evoluir, após este período inicial de experiência; o objectivo, neste momento é o de dar um passo em frente, tornando esta experiência mais profissional ainda e abrindo as portas a mais gente.
Domingo, 11 de Novembro de 2007
Isac e Camilo pt I
A educação é uma das pedras basilares para o desenvolvimento de uma sociedade e uma das formas como os países mais desenvolvidos encontraram para minorar a falta de acesso das crianças destes países à rede de ensino foi através da fundação de associações como a APOIAR que, através de um sistema de apadrinhamentos, assegura a formação e alimentação destes jovens. (Para mais informação sobre o trabalho desenvolvido pela APOIAR, visite www.apoiar.org).
Foi através desta ONG que a Alexandra realizou a sua primeira viagem a Mumemo em Abril deste ano e amadrinhou três crianças: a Zulfa, o Camilo e o Isac.
Os dois rapazes não poderiam ser mais diferentes. Ao passo que o Isac, de 9 anos, é um menino introvertido, calado, com dificuldade em ver as cores de que é pintado o mundo; quem sabe fruto de uma infância complicada, que culminou com a mãe a abandoná-lo no Lar de Órfãos das Irmãs, por alturas da primeira visita da Alexandra. O Camilo, por sua vez, apesar de não ter tido uma existência mais fácil nos seus tenros onze anos de vida que o Isac, talvez até tenha sido pior; é um daqueles miúdos reguilas e extrovertidos, um típico sedutor, um bom malandro em tudo o que isso tem de bom e de mau.
Ambos têm sido uma presença constante durante estes primeiros dias em Mumemo e são responsáveis por parte do curso intensivo que estes dias têm sido.
O segundo dia que pernoitámos em Mumemo foi atípico pelo frio e chuva intensos que se faziam sentir. O Isac, que tinha vindo visitar a madrinha e tinha passado a tarde connosco, tardava em querer regressar a casa; quem sabe por já saber que não teria ninguém para o receber, uma vez que a mãe havia sido hospitalizada nessa manhã e a avó a tinha acompanhado.
Com o dia a escurecer, a chuva a subir de intensidade e na impossibilidade dele pernoitar connosco na casa dos voluntários, decidimos levá-lo a casa, uma palhota com palhota de zinco “lá”, o que em termos locais tanto pode ser uma distância de 20m, como, e era este o caso, vários quilometros.
Ao chegarmos a casa do Isac, nos limites da vila, não se encontrava lá ninguém. Após batermos na porta umas três vezes, sem resposta, demos um empurrão mais forte na porta e entrámos. Confesso que, apesar de ter noção que, grande parte deles, ainda vive sem um mínimo de condições de habitabilidade e saneamento, fiquei um pouco chocado, porque, quer queiramos, quer não, uma coisa é saber e outra, bem diferente, é ver com os nossos próprios olhos.
Após alguns minutos de espera, em que tentámos arrancar alguma informação ao Isac, decidimos regressar à casa dos voluntários e pedir às Irmãs que o deixassem pernoitar no Lar, estávamos inclusivamente na disposição de quebrar as regras e, se a resposta não fosse positiva deixá-lo dormir connosco, na casa, algo que não foi necessário.
Foi através desta ONG que a Alexandra realizou a sua primeira viagem a Mumemo em Abril deste ano e amadrinhou três crianças: a Zulfa, o Camilo e o Isac.
Os dois rapazes não poderiam ser mais diferentes. Ao passo que o Isac, de 9 anos, é um menino introvertido, calado, com dificuldade em ver as cores de que é pintado o mundo; quem sabe fruto de uma infância complicada, que culminou com a mãe a abandoná-lo no Lar de Órfãos das Irmãs, por alturas da primeira visita da Alexandra. O Camilo, por sua vez, apesar de não ter tido uma existência mais fácil nos seus tenros onze anos de vida que o Isac, talvez até tenha sido pior; é um daqueles miúdos reguilas e extrovertidos, um típico sedutor, um bom malandro em tudo o que isso tem de bom e de mau.
Ambos têm sido uma presença constante durante estes primeiros dias em Mumemo e são responsáveis por parte do curso intensivo que estes dias têm sido.
O segundo dia que pernoitámos em Mumemo foi atípico pelo frio e chuva intensos que se faziam sentir. O Isac, que tinha vindo visitar a madrinha e tinha passado a tarde connosco, tardava em querer regressar a casa; quem sabe por já saber que não teria ninguém para o receber, uma vez que a mãe havia sido hospitalizada nessa manhã e a avó a tinha acompanhado.
Com o dia a escurecer, a chuva a subir de intensidade e na impossibilidade dele pernoitar connosco na casa dos voluntários, decidimos levá-lo a casa, uma palhota com palhota de zinco “lá”, o que em termos locais tanto pode ser uma distância de 20m, como, e era este o caso, vários quilometros.
Ao chegarmos a casa do Isac, nos limites da vila, não se encontrava lá ninguém. Após batermos na porta umas três vezes, sem resposta, demos um empurrão mais forte na porta e entrámos. Confesso que, apesar de ter noção que, grande parte deles, ainda vive sem um mínimo de condições de habitabilidade e saneamento, fiquei um pouco chocado, porque, quer queiramos, quer não, uma coisa é saber e outra, bem diferente, é ver com os nossos próprios olhos.
Após alguns minutos de espera, em que tentámos arrancar alguma informação ao Isac, decidimos regressar à casa dos voluntários e pedir às Irmãs que o deixassem pernoitar no Lar, estávamos inclusivamente na disposição de quebrar as regras e, se a resposta não fosse positiva deixá-lo dormir connosco, na casa, algo que não foi necessário.
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Mumemo e a Obra da Irmã Susana
Após as cheias de 2000 – 2001, que desalojaram milhares de pessoas, houve a necessidade de criar soluções que, de alguma forma permitissem o realojamento dessas famílias.
Foi nesse espírito que nasceu o bairro 4 de Outubro em Mumemo – Marracuene, que permitiu o realojamento de mais de 600 das cerca de 1800 famílias ficaram desalojadas em Chamanculo, Maputo, aquando das cheias. A ideia que se tem à primeira vista é a de uma vila urbanisticamente estruturada e dotada de um conjunto de infra-estruturas que visam um crescimento sustentado, baseado, por um lado, na formação profissional e cívica das populações, por outro na criação de saídas profissionais para a população local.
Se Mumemo é hoje uma realidade, em muitos aspectos, modelo para aquilo que poderá ser uma das soluções para minorar os problemas que a sociedade moçambicana e africana sofrem nos dias de hoje, como pobreza extrema, fome, disseminação quase incontrolável de vírus como o do HIV/SIDA, ou da Tuberculose; isso deve-se ao trabalho de uma mulher de coragem e fé a Irmã Susana Marques.
Ao primeiro impacto, a Irmã Susana é uma mulher bonacheirona, simpática, perita em seduzir os outros para conseguir apoios que lhe permitam realizar os seus sonhos de melhorar as condições de vida no seu país e dotada de uma inteligência, força de vontade, fé e amor ao próximo, que são a fonte de energia que a têm alimentado o seu trabalho e a sua alma ao longo de quarenta anos de missão. Mulher de inúmeros projectos de norte a sul de Moçambique, Mumemo é, talvez, a sua jóia da coroa, o seu melhor trabalho e, talvez por isso mesmo, aquele em que as fragilidades do seu trabalho se fazem notar com maior vigor.
Problemas estruturais como os que se vivem em Moçambique não se resolvem apenas através de acções de solidariedade e ajuda em que se doam bens essenciais em falta nos países, na esperança de que isso elimine todas as carências de um povo. Esses problemas apenas se resolverão se houver um esforço concentrado de formação das populações que permita acções que visem a mudança de atitudes e mentalidades, ponto essencial para a auto-suficiência de um povo. Um projecto, por si só quimérico e de difícil execução.
Falar da Irmã Susana é falar de Mumemo, do bairro 4 de Outubro e das suas acções em prol das crianças, dos jovens, das populações mais carenciadas e da divulgação da cultura de um povo; pois só estimulando o gosto pelas tradições culturais e pela formação é que se conseguirão desenvolver acções bem sucedidas.
Em termos de obra construída, por iniciativa da Congregação de Irmãs Franciscanas, de que a Irmã Susana é a Superiora, temos os Lares que acolhem as crianças órfãs e mais carenciadas; o Jardim-de-infância; a Escola Primária; a Escola Profissional; o Centro de Lazer e o Centro de Saúde. Para além disso, Mumemo está dotada de um sistema de canalização que se estende à maioria da população e independente da rede geral moçambicana.
Na minha opinião, Mumemo já tem ao seu dispor infra-estruturas mais do que suficientes para permitir a sua sustentabilidade, embora ainda haja muito mais a fazer a esse nível. Aquilo que continua a faltar é a mudança de atitude e mentalidade de toda uma população, de forma a acompanhar todo esse trabalho de base que já começou a ser feito com bastante sucesso.
Foi nesse espírito que nasceu o bairro 4 de Outubro em Mumemo – Marracuene, que permitiu o realojamento de mais de 600 das cerca de 1800 famílias ficaram desalojadas em Chamanculo, Maputo, aquando das cheias. A ideia que se tem à primeira vista é a de uma vila urbanisticamente estruturada e dotada de um conjunto de infra-estruturas que visam um crescimento sustentado, baseado, por um lado, na formação profissional e cívica das populações, por outro na criação de saídas profissionais para a população local.
Se Mumemo é hoje uma realidade, em muitos aspectos, modelo para aquilo que poderá ser uma das soluções para minorar os problemas que a sociedade moçambicana e africana sofrem nos dias de hoje, como pobreza extrema, fome, disseminação quase incontrolável de vírus como o do HIV/SIDA, ou da Tuberculose; isso deve-se ao trabalho de uma mulher de coragem e fé a Irmã Susana Marques.
Ao primeiro impacto, a Irmã Susana é uma mulher bonacheirona, simpática, perita em seduzir os outros para conseguir apoios que lhe permitam realizar os seus sonhos de melhorar as condições de vida no seu país e dotada de uma inteligência, força de vontade, fé e amor ao próximo, que são a fonte de energia que a têm alimentado o seu trabalho e a sua alma ao longo de quarenta anos de missão. Mulher de inúmeros projectos de norte a sul de Moçambique, Mumemo é, talvez, a sua jóia da coroa, o seu melhor trabalho e, talvez por isso mesmo, aquele em que as fragilidades do seu trabalho se fazem notar com maior vigor.
Problemas estruturais como os que se vivem em Moçambique não se resolvem apenas através de acções de solidariedade e ajuda em que se doam bens essenciais em falta nos países, na esperança de que isso elimine todas as carências de um povo. Esses problemas apenas se resolverão se houver um esforço concentrado de formação das populações que permita acções que visem a mudança de atitudes e mentalidades, ponto essencial para a auto-suficiência de um povo. Um projecto, por si só quimérico e de difícil execução.
Falar da Irmã Susana é falar de Mumemo, do bairro 4 de Outubro e das suas acções em prol das crianças, dos jovens, das populações mais carenciadas e da divulgação da cultura de um povo; pois só estimulando o gosto pelas tradições culturais e pela formação é que se conseguirão desenvolver acções bem sucedidas.
Em termos de obra construída, por iniciativa da Congregação de Irmãs Franciscanas, de que a Irmã Susana é a Superiora, temos os Lares que acolhem as crianças órfãs e mais carenciadas; o Jardim-de-infância; a Escola Primária; a Escola Profissional; o Centro de Lazer e o Centro de Saúde. Para além disso, Mumemo está dotada de um sistema de canalização que se estende à maioria da população e independente da rede geral moçambicana.
Na minha opinião, Mumemo já tem ao seu dispor infra-estruturas mais do que suficientes para permitir a sua sustentabilidade, embora ainda haja muito mais a fazer a esse nível. Aquilo que continua a faltar é a mudança de atitude e mentalidade de toda uma população, de forma a acompanhar todo esse trabalho de base que já começou a ser feito com bastante sucesso.
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Mumemo, O Regresso a casa
Por fim chegou o dia da partida; depois de uma noite muito agradável no Speakeasy em que ouvimos os ViraLata e de uma madrugada de desabafos em que ouvimos a Joana a contar-nos das suas dúvidas e das suas angústias relativamente a um indivíduo que, definitivamente, não lhe merece qualquer consideração (juízo Joana, está na altura de começares a pensar em ti primeiro).
Com uma directa em cima e após um dia de correrias, ocupado com os últimos pormenores para a viajem, o momento chegou. Iria, finalmente, regressar a casa, apesar de esta ser a minha primeira vez em Moçambique. No aeroporto a Alexandra, my partner in crime como ela costuma dizer, já desesperava com o meu atraso significativo, até porque sem mim não conseguiria viajar, afinal de contas era eu quem tinha o seu passaporte. Finalmente cheguei, mesmo em cima da hora de partida e partimos sem mais delongas. O voo de Lisboa a Maputo, apesar das 10h30m de duração decorreu sem grandes sobressaltos, à parte dos esporádicos espasmos seguidos de gritos de guerra e gemidos de dor que a minha companheira de viajem ia soltando.
A chegada a Maputo pautou-se pela confirmação do sentimento de regresso a casa que trazia comigo desde a tomada de decisão de acompanhar a Alexandra a Mumemo e apoiá-la no que ela necessitasse na organização do festival que ela cá iniciou em Abril deste ano. Enquanto andámos em Maputo a comprar algumas coisas básicas para a nossa permanência em Moçambique ia sentindo a tristeza e a desolação que se deve sentir quando regressamos e nos deparamos com a nossa casa vandalizada.
Por fim chegámos a Mumemo, uma aldeia a quarenta minutos de Maputo. Construída de raiz, por iniciativa de uma mulher de força, coragem e fé, a Irmã Franciscana Susana Marques, Mumemo pode ser considerada em muitos aspectos, apesar dos diversos problemas que existem; tanto ao nível de dificuldades financeiras, entre outras carências, como ao nível da gestão desses mesmos recursos; pode ser considerada uma aldeia modelo; no sentido em que foi pensada para os seus habitantes, para o seu futuro e está dotada de um conjunto de infra-estruturas e iniciativas que visam contribuir para a educação cívica do povo moçambicano.
Na casa dos voluntários, onde nos encontramos alojados, encontra-se um casal de portugueses: A Inês e o Luís. Estes dois jovens, ela médica e ele educador de infância, chegaram a Moçambique no final de Agosto e permanecerão, no total, um ano a trabalhar voluntariamente em Mumemo.
Casal jovem e empreendedor, o seu objectivo é sair de Mumemo com a sensação de que o seu trabalho foi útil e que serviu para uma melhor estruturação, ou melhor, reestruturação das mentalidades: O Luís ao nível do seu trabalho na Escola Primária, ela ao nível do seu trabalho de registo de crianças e do acompanhamento alimentar das mesmas, tentando educá-las, e aos seus responsáveis, quanto à forma como poderão utilizar os recursos naturais alimentares ao seu dispor para combater problemas de subnutrição.
Um dos seus projectos é a ampliação e remodelação da escola primária de forma, reequipando-a ao nível do material escolar e pedagógico, para que permita albergar, nas melhores condições, as cerca de 300 crianças que a frequentam, dando-lhe condições de futuro.
Se quiserem saber como ajudar esta causa e como poderão contribuir para a sua concretização, visitem africa-nossa.blogspot.com
Com uma directa em cima e após um dia de correrias, ocupado com os últimos pormenores para a viajem, o momento chegou. Iria, finalmente, regressar a casa, apesar de esta ser a minha primeira vez em Moçambique. No aeroporto a Alexandra, my partner in crime como ela costuma dizer, já desesperava com o meu atraso significativo, até porque sem mim não conseguiria viajar, afinal de contas era eu quem tinha o seu passaporte. Finalmente cheguei, mesmo em cima da hora de partida e partimos sem mais delongas. O voo de Lisboa a Maputo, apesar das 10h30m de duração decorreu sem grandes sobressaltos, à parte dos esporádicos espasmos seguidos de gritos de guerra e gemidos de dor que a minha companheira de viajem ia soltando.
A chegada a Maputo pautou-se pela confirmação do sentimento de regresso a casa que trazia comigo desde a tomada de decisão de acompanhar a Alexandra a Mumemo e apoiá-la no que ela necessitasse na organização do festival que ela cá iniciou em Abril deste ano. Enquanto andámos em Maputo a comprar algumas coisas básicas para a nossa permanência em Moçambique ia sentindo a tristeza e a desolação que se deve sentir quando regressamos e nos deparamos com a nossa casa vandalizada.
Por fim chegámos a Mumemo, uma aldeia a quarenta minutos de Maputo. Construída de raiz, por iniciativa de uma mulher de força, coragem e fé, a Irmã Franciscana Susana Marques, Mumemo pode ser considerada em muitos aspectos, apesar dos diversos problemas que existem; tanto ao nível de dificuldades financeiras, entre outras carências, como ao nível da gestão desses mesmos recursos; pode ser considerada uma aldeia modelo; no sentido em que foi pensada para os seus habitantes, para o seu futuro e está dotada de um conjunto de infra-estruturas e iniciativas que visam contribuir para a educação cívica do povo moçambicano.
Na casa dos voluntários, onde nos encontramos alojados, encontra-se um casal de portugueses: A Inês e o Luís. Estes dois jovens, ela médica e ele educador de infância, chegaram a Moçambique no final de Agosto e permanecerão, no total, um ano a trabalhar voluntariamente em Mumemo.
Casal jovem e empreendedor, o seu objectivo é sair de Mumemo com a sensação de que o seu trabalho foi útil e que serviu para uma melhor estruturação, ou melhor, reestruturação das mentalidades: O Luís ao nível do seu trabalho na Escola Primária, ela ao nível do seu trabalho de registo de crianças e do acompanhamento alimentar das mesmas, tentando educá-las, e aos seus responsáveis, quanto à forma como poderão utilizar os recursos naturais alimentares ao seu dispor para combater problemas de subnutrição.
Um dos seus projectos é a ampliação e remodelação da escola primária de forma, reequipando-a ao nível do material escolar e pedagógico, para que permita albergar, nas melhores condições, as cerca de 300 crianças que a frequentam, dando-lhe condições de futuro.
Se quiserem saber como ajudar esta causa e como poderão contribuir para a sua concretização, visitem africa-nossa.blogspot.com
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